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Cidade do México - 1968

AFP

O poder dos negros

AFPOs Jogos Olímpicos da Cidade do México não ficaram marcados apenas pelas disputas esportivas, mas também por protestos contra o racismo. Primeiro, os países da África ameaçaram boicotar os Jogos se o COI aceitasse a inscrição da África do Sul, que praticava o apartheid.

Além disso, o racismo ainda era abertamente praticado nos Estados Unidos, o que motivou o surgimento do movimento Black Power. O COI e seus dirigentes sempre foram contra protestos políticos nos Jogos. Diante da possibilidade disso acontecer, os atletas foram avisados que, se protestassem, seriam banidos dos Jogos.

Mesmo assim, dois velocistas americanos, Tommie Smith e John Carlos, ao subir ao pódio para receberem respectivamente as medalhas de ouro e bronze dos 200m rasos, durante o hino de seu país, ergueram seus punhos cerrados, vestidos com uma luva preta, numa atitude típica do maior movimento de afirmação negra existente na época, os Panteras Negras.

A punição prometida foi aplicada e os dois foram obrigados a deixar o México em 24 horas. Em solidariedade a Smith e Carlos, Jim Hines (vencedor dos 100m rasos), Bob Beamon (vencedor do salto em distância), Lee Evans (vencedor dos 400m) e Nennox Wood também protestaram com luvas, meias e boinas pretas em suas cerimônias de premiação.

Imediatamente após os protestos, os atletas envolvidos foram hostilizados. Até mesmo o australiano Peter Norman, branco, medalha de prata naquela prova, e que apoiou a atitude dos companheiros de pódio. Somente a partir da década de 1980 os atletas passaram a ser reconhecidos e reverenciados pela atitude em 1968.

Outros destaques

O Brasil conquistou apenas três medalhas nesta edição. Uma prata (com Nelson Prudêncio, no salto triplo) e dois bronzes (no boxe, com Servílio de Oliveira, e na vela, com Burkhard Cordes e Reinaldo Conrad, na classe flying dutchman).

Os Jogos da Cidade do México foram os primeiros e, até hoje, os únicos disputados na América Latina.

Duas evoluções tecnológicas foram apresentadas em 1968. As pistas de atletismo passaram a ser construídas com um material sintético, o tartã, que melhorou a performance dos atletas. Também foi nesta edição que a cronometragem eletrônica passou a ser considerada oficial, ao invés da manual (que continuava sendo feita).

O americano Bob Beamon, medalha de ouro no salto em distância, assombrou os árbitros com seu salto. Ele era o favorito na prova, mas ninguém esperava que ele saltasse 8,90m, superando o recorde mundial em 55 centímetros.

Ficha técnica

Abertura: 12/out/1968
Encerramento: 27/out/1968
Cidades candidatas: Detroit (EUA), Lyon (FRA), Buenos Aires (ARG).
Países: 112
Atletas: 5.516 (781 mulheres, 4.735 homens)
Esportes: 20 (aquáticos, atletismo, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, futebol, ginástica, hipismo, hóquei, levantamento de peso, lutas, pelota basca (demonstração) pentatlo moderno, remo, tiro esportivo, vela, vôlei)
Eventos: 172

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Borda Quadro de MedalhasQuadro de Medalhas Borda
País Ouro
Ouro
Prata
Prata
Bronze
Bronze
Total
Estados Unidos 45 28 34 107
União Soviética 29 32 30 91
Japão 11 7 7 25
35º Brasil 0 1 2 3
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