27 de agosto de 2008
A longa volta
Reuters
PEQUIM (Fernando Valeika de Barros) - Hoje, encerra-se o capítulo chinês do Abril em Pequim com a travessia de meio mundo, na longa volta ao Brasil. Vivi momentos intensos neste projeto, desde que tive o privilégio de ser convidado para participar ele por Gabriela Yamaguchi, sua coordenadora e comandante-em-chefe. Desde maio, fui uma espécie de jogador do time com liberdade de movimentos e com muitas missões para cumprir. E, graças a isso, conheci muita gente., a quem não posso deixar de ter respeito e palavras positivas. Com a Carol Almirón e o Bruno Sassi, ótimos, rápidos e competentes, participei da coleta de informações para o Guia da Placar, diagramado em boa parte pelas mãos de Luís Ratto, o maior ainticorintiano da face da Terra (apesar de um antepassado dele ter sido tricampeão pelo Timão nos anos 1930), com a coordenação de arte e organização de Rodrigo Maroja e equipe, cujo brilho dispensa qualquer apresentação. E começaram os filmes, com atletas, como a Maurren Maggi ou a Paula Pequeno e sua turma. Nos contavam sobre sua trajetória e, principalmente sobre seu sonho de medalha de ouro em Pequim, antecipando o desejo para a realidade. "Quero a douradinha", disse Maurren para gente, antecipando o que aconteceria na China. Virou História no Abril em Pequim, assim como os depoimentos das jogadoras de vôlei, que a Carol colheu em Saquarema, quando o pódio delas em Pequim era só uma imaginação.
E depois teve o começo da montagem das informações do site, ainda em São Paulo, com os bravos Felipe Oliveira e Daniel Andreazzi, primeiro com um mergulho na História, até Coreibos, de Ilíada, o último herói olímpico conhecido, e depois resgatando os grandes nomes da competição no seu formato moderno, pós Barão de Coubertin, o francês bigodudo que a reinventou, os heróis atuais. Houve o começo das filmagens com a talentosa equipe da Estilingue Filmes, Fernando, André e Taís Lefcadito, Marcola, e o Rafael Lefcadito, meu primeiro parceiro de filmes em Pequim. Alguns impagáveis como o do pato laqueado, quando a chinesada nos deixou filmar no susto e meio na marra. Teve também a ótima convivência com o Paulo Terron, grande figura de Jales, e que me emprestou a sua voz em alguns dos filmes, quando a minha quase foi-se embora, por causa da mania dos chineses em colocar o ar-condicionado em temperaturas tão baixas. E depois veio o início da cobertura sob a batuta criativa de Leo Nishihata e do Rafa Bacana, as quatro mãos que ergueram um belo e consistente trabalho a partir de São Paulo e meus interlocutores nesta aventura. Foi a quem transmiti a espetacular trajetória do Michael Phelps rumo ás suas oito medalhas douradas, e o incrível ouro de César Cielo, nos 50 metros, nado livre, numa prova em que qualquer um dos oito finalistas era bom o suficiente para vencê-la, tudo lá do Cubo d'Água, o mais bonito de todos os ginásios de Pequim. Ou a desagradável supresa no final da apresentação de Diego Hypolito, tão seguro dos movimentos que fazia, que dava risada até a desesperadora queda. Teve os duelos na areia de Chaoyang, no vôlei de praia, a ascensão e queda dos boxeadores e do futebol brasileiro, o apagão do Jadel, o desesepero da Fabiana Mürer, o brilho da Maurren, a dança e os inesquecíveis nuggets do Usain Bolt. Teve riso de alívio no vôlei feminino, onde segundo o próprio Zé Roberto Guimarães, nos contou a teimosa bola da semifinal contra Rússia, no ar há quatro anos caiu, tiram do uma tonelada das costas dele e das jogadoras. Teve o Jimmy Page, o guitarrista do Led Zeppelin, de cabelos brancos, com todo gás tocando guitarra no encerramento da festança e muita coisa mais. Teve a convivência diária com gente boa, no empurra-empurra das zonas mistas, o corredor onde os jornalistas se espremem para colher as primeiras declarações dos atletas. O Marcelo da Reuters, meu companheiro de judô e de fotos roubadas na pista do Estádio Nacional, o Luiz do Correio Brasiliense, que pela sua paixão pela Isinbayeva – desconfio – namorou o vai namorar com a supercampeã russa, o Adalberto da Folha, o Baldini, do Estadão, o Cláudio do Globo, o Ivan, do Estado de Minas, a galera da Gazeta do Paraná, a Dorrit Harazim, a mais genial jornalista que conheço e de muitas Olimpíadas, ainda entusiasmada com tudo. Sou fã de careirinha do trabalho dela desde os tempos em que era tinha 20 e poucos anos, trabalhava na Vejinha e concordo com Dorrit: cobrir Olimpíada, ver nascer heróis como César Cielo é mesmo uma experiência imensa, que é alucinante, mas que vale muito à pena de ser vivida de perto.
E teve Pequim. A capital deste país imenso, complexo e fantástico, do qual a gente adora várias coisas (a simpatia do povo, o carinho deles pelas suas crianças, lindas, a quantidade de coisas para prestar a atenção ao mesmo tempo, a transformação de Pequim, a rapidez e a criatividade deles para resolver problemas – eu que o diga com um defeito daqueles no computador a dias da abertura – , a comida) não gosta de muitas outras (a burocracia, a manipulação, os motoristas de táxi atrapalhados, a poluição, a comida). Foi bem aqui em Pequim, em um simpático hotel em um hutong, pertinho da Praça Tianamen, que os primeiros capítulos desta aventura foram escritos, em dezembro do ano passado. Debaixo de um frio de menos 20 graus, comecei o trabalho de logística e recolhimento de conteúdo que depois viraram reportagens em publicações da Editora Abril (Elle, Exame, Playboy, Quatro Rodas) e para o próprio Abril em Pequim. E que atingiu o auge quando as Olimpíadas, enfim, começaram. A correria de dias intensos, que começavam às 7 da manhã e ás vezes terminavam às 2,3 da madrugada, com muito corre-corre pelo meio, impediram que eu fosse um blogueiro mais ativo do que gostaria no Planeta China e em colaborações ao Blog da Redação, mesmo que assunto não faltasse para contar. Este é o lado ruim de dias terem apenas 24 horas em situações em que tanta coisa acontece ao mesmo tempo. Isso chama-se a pauleira olímpica.
Uma última dica: não percam os filmes com as promessas brasileiras para as próximas Olimpíadas, em 2012, em Londres ou 2016, sabe-se lá aonde. Se treinar muito, suar ate atingir quase a perfeição, talvez algum destes atletas seja candidato a próximo herói brasileiro nesta competição fantástica. Quem sabe daqui a oito anos, nossos heróis não sejam o Kid Chocolate, a Juliana e tantos outros que sonham desde já com o topo do pódio, a glória máxima que qualquer atleta do planeta pode sonhar. Até a próxima.
Comentários (3)
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por cezar, 19 de setembro de 2008 as 09:07
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por bebela, 15 de setembro de 2008 as 11:54
e eu lá quero saber disso ah q coisa sô esse povo ta cansando minha beleza -
por , 06 de setembro de 2008 as 19:58

Os bastidores da cobertura dos Jogos Olímpicos
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